FOCO NA INCLUSÃO SOCIAL |
José Antônio da Silva |
Acompanhando as movimentações das empresas e dos órgãos públicos, com o objetivo de trazer o tema da inclusão social para o nosso dia a dia, percebo que há muito que se fazer para que a integração das minorias seja uma realidade em nosso País. Não quero dizer, entretanto, que faltam iniciativa e boa vontade dos governantes e das empresas nesse sentido. Há muito esforço humano e muito investimento, mas podemos direcionar melhor as nossas ações, a fim de tornar mais eficientes as iniciativas e mais perceptíveis os resultados, para os principais beneficiados pelo processo da inclusão social. Nessa linha, podemos citar algumas ações ocorridas nos últimos dez anos, no Brasil, como a criação da lei 8213/91, que define cotas para o emprego de deficientes; a criação das cotas para ingresso dos negros e estudantes de escolas públicas nas universidades; o aumento considerável na contratação de idosos em diversas funções; a ocupação cada vez maior de postos de trabalho pelas mulheres; a implantação de melhorias na acessibilidade dos deficientes a diversos estabelecimentos públicos e privados; a contratação em grande escala por concursos públicos e processos seletivos de empresas privadas de profissionais com necessidades especiais, bem como a transformação dos internatos existentes em diversas cidades brasileiras em entidades de apoio, incentivando o ingresso dos deficientes nas escolas comuns e facilitando a sua integração na sociedade. Como podemos notar, todas as medidas aqui mencionadas vieram de um grande esforço geral para promover a inclusão e, sem dúvida alguma, trouxeram um expressivo benefício para todos nós, com uma perceptível melhora das condições de acesso às oportunidades sociais pelas minorias, nos últimos dez anos.
O que fazer? O que é positivo no atual estágio do processo é que já temos um longo período de experiência em inclusão, tanto nas iniciativas ocorridas no Brasil, quanto nas melhores práticas dos demais países que se encontram num estágio mais avançado que o nosso. Para intensificar a inclusão social por aqui, acredito que poderíamos começar convocando os próprios atores beneficiários desta inclusão, a participarem do aperfeiçoamento desse processo. Quando falamos de incluir alguém em algum lugar, precisamos garantir a existência de um ambiente adequado para receber essas pessoas. Hoje, vemos muitas escolas recebendo pessoas com deficiência, sem o menor preparo material e humano de suprir essas necessidades. Acredito que podemos ajudar muito na contratação dos deficientes pelas empresas, planejando e implantando novas formas de capacitação dessa mão-de-obra, tão especial, quanto promissora para os diversos ramos de negócio existentes em nosso país, atualmente. Para tal, precisamos visitar cada local de trabalho, levantar as condições de atuação de cada um, sugerir novas formas de aumentar a produtividade e tornar esta contratação mais viável, do ponto de vista da atividade envolvida. Como disse anteriormente, há muito que se fazer. Mas é preciso começar por transformar a inclusão numa atividade agradável para todos os envolvidos, evitando assim, que ela acabe se tornando um problema e desestimulando as ações em sua direção. Resultados Quando disse que a situação das minorias está bem melhor do que há dez anos, é porque já podemos ver as empresas contratando muita mão-de-obra especial, as faculdades com maior acesso para os pobres, os negros, as mulheres e os índios com seus direitos cada vez mais respeitados, na busca de equidade. Fico feliz em assistir um aumento significativo das ações de inclusão e em saber que estamos mais próximos de construir uma sociedade melhor, onde as diferenças possam enriquecer o convívio nas famílias, escolas, empresas, igrejas, enfim, em todos os grupos aonde existem pessoas e, portanto, desiguais. Temos o desafio de fazer com que esta inclusão não se limite a uma mera permissão para que as pessoas façam parte de um todo, mas que se constitua em uma ação positiva e final, que crie condições delas se sentirem realmente parte da vida em sociedade nos direitos, nas oportunidades, nas brincadeiras, na alegria e na convivência saudável que todos nós buscamos. Para isso, é imprescindível erradicar completamente toda forma de preconceito que, por vezes, impede-nos de ver o outro como se fosse um de nós, ou seja, como é. Se fizermos de nossa parte, podemos esperar das minorias que elas também aproveitem esta excelente oportunidade, que aceitem o convite da inclusão e participem com a sua contribuição para formação de uma sociedade guiada pelo bom convívio, pela educação, pelo altruísmo e pela construção de um relacionamento pleno entre todas as pessoas.
Maio/ 2009 |
