A atual década vai entrar para história como a mais quente em 150 anos segundo o IPCC – Painel intergovernamental sobre mudanças climáticas, simultaneamente os eventos climáticos tem castigado a maior metrópole do país, o volume de chuva registrados nos últimos dias na cidade de São Paulo é record, segundo a medição no Mirante de Santana localizado na Zona Norte da cidade desde 1947 não existem registros de um verão que tenha ocorrido uma frequência com esta intensidade, esse foi o 44º dia consecutivo de chuva em São Paulo, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura, isso até o fechamento desta matéria. O acumulado médio de chuva neste período, de acordo com o CGE, foi de 611,4 mm. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em São Paulo mostram que já choveu mais de 60% da média histórica para fevereiro na capital paulista. A média para todo o mês é de 235,4 mm.
Pode ser tentador relacionar as recorrentes chuvas que caem na Grande São Paulo nos últimos 44 dias ao famoso fenômeno do aquecimento global. Mas no caso paulista, seria mais correto se falar em "aquecimento local" para entender por que a região enfrenta tanta água neste verão.
Não existem evidências científicas de que o gradativo aumento da temperatura global influencie o volume de chuvas da metrópole. Pode-se afirmar que observamos atualmente na capital uma consequência de alterações locais, a urbanização da cidade se intensificou a partir da II Guerra Mundial, com a expansão de parques industriais, asfaltamento de vias e construção de edifícios - provocou alterações nas características climáticas da região. Verificamos a formação e o crescimento de uma ilha de calor sobre essa região segundo dados do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Além da impermeabilização a superfície cimentada da cidade não permite a absorção do calor, ele fica retido propiciando as chuvas. Ainda em “tese”, ou seja, não existe nada que comprove, mas o aquecimento global pode de fato funcionar como potencializador de sistemas naturais que causam as chuvas: uma vez que aumenta a temperatura, cresce também o calor retido na atmosfera o que também é intensificado pela emissão de gases poluentes como monóxido de carbono, entre outros.
O Brasil ocupa a 16ª colocação no ranking de países com maior emissão de CO2 na atmosfera, especialmente no nosso caso a maior parte vêm do desmatamento, combater esta pratica pode ser não apenas vantajoso para o nosso planeta, como também para a imagem do país no exterior. Em contrapartida, em outros casos, não há a menor possibilidade de substituir o maior vilão, o petróleo na escala que ele é queimado por uma mesma fração do álcool, por causa da maior demanda do combustível fóssil. Contudo o que mais preocupa os cientistas é que sem uma forte redução do consumo deste produto não há saída para o nosso planeta.
Novas tecnologias estão sendo estudadas para capturar CO2 da atmosfera, como exemplo dos painéis fotovoltaicos, ainda em escala experimental e como para todo o remédio existem os seus efeitos colaterais isso não parece ser a melhor saída, nem cabe a nós esperamos daí uma solução milagrosa. Existe um consenso na comunidade científica, se não houver uma revisão dos nossos padrões e modelos de consumo de matérias-primas e energia será realmente inviável qualquer esforço.
A busca pela sustentabilidade é um caminho de travessia longa, complexa e infindável, a qual exige um grau inédito de conscientização planetária. Consciência é algo que está muito relacionado ao tempo, o indivíduo consciente é o que se entende como resultado de uma história e se compreende em função de um futuro. O mesmo ocorre com a espécie, somos o resultado de muitas histórias, a evolução genética se deu por um contexto acompanhado de uma história, portanto, temos um compromisso com o futuro, com as gerações por vir, com os nossos netos, com os filhos dos nossos netos e com o ambiente do qual fazemos parte, em um horizonte-tempo de décadas, séculos, por que não dizer milênios. O tempo da natureza não é o nosso tempo, nossa existência enquanto indivíduo é extremamente insignificante aos 4,5 bilhões de anos da Terra, contudo, o nosso poder de destruição tem sido extraordinário, existem autores mais radicais que chegam a afirmar que a humanidade e a nossa civilização, são verdadeiros parasitas da Terra considerando esta contrastante relação cronológica.
Fevereiro/2010 |