O DIA INTERNACIONAL DA MULHER |
José Antônio da Silva |
Pegando carona nas comemorações do dia internacional da mulher, gostaria de refletir sobre o real significado dessa importante data para todos nós. É sempre muito gratificante poder reservar um dia do ano para destacar o papel da mulher na nossa vida, pois sabemos da grande diferença que elas fazem em tudo que somos, fazemos e vivemos no nosso trabalho e no nosso lar. Sentimos-nos pequenos quando falamos dessas guerreiras companheiras e colegas de trabalho, incansáveis em suas multifunções como esposas, mães, colegas e orientadoras do nosso trabalho. Ao lembrarmos as suas inumeráveis conquistas, não podemos esquecer o grande espaço conquistado por elas como executivas nas empresas privadas, nos mais altos cargos públicos e em outras posições de destaque como cantoras, jogadoras ou atrizes, ocupando espaços até então marcados pela forte presença masculina. Mesmo assumindo tantas responsabilidades no trabalho e no aumento da renda familiar, o que propicia mais conforto e qualidade de vida para toda a família, elas também não abrem mão do seu papel em casa, onde utilizam todas as suas experiências na coordenação das atividades do lar. Mesmo quando nós homens desajeitados queremos dar uma ajudinha na cozinha, temos de contar com a sua orientação, porque são elas as verdadeiras conhecedoras da dinâmica da casa e sabem resolver tudo nos mínimos detalhes. Enfim, por mais que eu fique falando aqui das qualidades da mulher e de tudo que elas têm feito por nós que dependemos tanto delas, sempre vou ficar devendo alguma coisa. É uma evolução constante que começou desde a criação da religião cristã e que não terá fim. Sempre teremos novas conquistas para comemorar e novos comentários para fazer, pois elas se superam a cada dia.
O reconhecimento O processo de valorização do trabalho da mulher começou há mais de dois mil anos, mas é nos últimos cinquenta anos que os resultados de suas lutas se tornaram mais visíveis, rumo à ocupação do espaço profissional mais do que merecido por elas. Em diversas carreiras ou modalidades de trabalho autônomo, houve um aumento constante do envolvimento dessas profissionais em todos os tipos de trabalho. Elas conquistaram suas oportunidades e provaram a sua competência em várias áreas e atividades. Aumenta rapidamente a quantidade de países que têm uma mulher no mais alto cargo da administração, seja o de presidente da república ou de primeiro ministro, decidindo o destino de todos ali. Isso, quando não é a primeira dama que toca vários projetos de interesse da população, acabando por influenciar a decisão do marido. Nas empresas, desde que as mulheres começaram a ocupar seu espaço, notamos uma grande mudança a favor dos empregados e, sobretudo nos resultados conseguidos para o negócio fim. Graças a sua sensibilidade e as suas preocupações com os detalhes da operação, atingimos uma qualidade e eficiência muito importantes para os processos, além de uma facilidade muito maior na negociação com os clientes. Aí ficou fácil entender o porquê da ascensão profissional das mulheres nas empresas. Estão saindo da base da pirâmide e assumindo posições de destaque na supervisão, gerência, área executiva e na presidência das empresas. Hoje elas já são maioria entre as pessoas contratadas com carteira assinada, segundo pesquisa feita pelo IBGE, em 2008, e se preparam para ocupar seu lugar merecido também no comando das empresas e dos governos. Não lhes falta competência, inteligência e força de vontade para isso, desde a sua capacitação nos diversos cursos que fazem, até na experiência acumulada ao longo dos anos dedicados às suas carreiras.
A busca de maior valorização Confesso que estou um pouco envergonhado, pois hoje me preparei para homenagear as mulheres, citando apenas coisas boas referente às suas conquistas e o papel delas na sociedade. Acontece, todavia, que há ainda muita coisa a fazer para facilitar essa ascensão, principalmente no ambiente de trabalho. Depois de constatar os resultados alcançados com a sua competência e força de vontade, não podemos mais aceitar certas injustiças verificadas nas pesquisas divulgadas por importantes órgãos públicos, como a ONU, a OIT, o IBGE e o Ministério do Trabalho. No Brasil, 52% da mão-de-obra formal é composta por mulheres, segundo a Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio (PNAD), do IBGE, de 2008, mas recebem apenas 65% do valor total dos salários que são destinados aos homens. Por mais que tentemos justificar esse absurdo, não há explicações racionais para isso, já que as responsabilidades nas empresas não devem ser definidas de acordo com o sexo dos funcionários. Infelizmente, já vi muitos casos de pessoas que contratam uma mulher para pagar um salário de 70% do salário do homem ou até pior, empregadores rurais que pagam um dia de trabalho de um homem com dois dias de uma mulher. Alguém poderia arriscar uma justificativa dizendo que elas não estão preparadas para cargos mais elevados ou compromissos muito desafiadores, mas a experiência mostra que isso não é verdade. Entendo que devemos trazer esses dados à tona não apenas para uma simples constatação, mas sim, para buscar soluções. São necessárias leis rigorosas que punam e desestimulem totalmente essas práticas, mesmo nos mais longínquos sertões do Brasil, assim como a atuação de todas as mulheres na denúncia a todo e qualquer tipo de injustiça. Já temos a Lei Maria da Penha, que diminuiu a impunidade da violência contra a mulher, mas precisamos de mais medidas que promovam a verdadeira justiça nas relações sócio-econômicas entre todos os trabalhadores, independente das diferenças de qualquer natureza. Se quisermos promover a equidade de gênero no nosso país, como preceito constitucional que é, precisamos cumprir a premissa, não só da igualdade de direitos, mas também da equivalência na participação e responsabilidade social e econômica, entre homens e mulheres. Se não formos totalmente coerentes com esse discurso, não adianta sermos falsos e apenas darmos os parabéns a elas todo dia 08 de Março, se aceitamos as injustiças que aparecem nos sensos do IBGE, que acontecem a cada dez anos. Espero encontrar uma realidade bem melhor na próxima pesquisa, que deverá acontecer até agosto desse ano de 2010. Que, ao cumprimentar nossas colegas no próximo dia internacional das mulheres, possamos também celebrar uma maior proximidade com o fim das desigualdades, que tanto nos envergonham.
José Antônio da Silva Consultor em Tecnologia da Informação e especialização em projetos de inclusão de diversidade 08 de Março de 2010.
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