O Trabalho Promovendo a Inclusão Social |
José Antônio da Silva
|
Refletindo um pouco sobre a questão da inclusão social no mercado de trabalho, vejo que temos aí uma das melhores oportunidades de promover a verdadeira integração das minorias no mundo globalizado em que vivemos. Não podemos deixar de reconhecer a importância dos programas sociais que fornecem ajuda financeira às populações mais pobres, nem dos incentivos sociais que são oferecidos pela sociedade organizada, mas sabemos que só isso não é suficiente. Oferecendo um maior número de oportunidades de emprego e estimulando a especialização e a inserção geral no mercado de trabalho podemos praticar uma grande inclusão no meio produtivo, cujos resultados beneficiarão a todos ao mesmo tempo. Teremos mais alimentos, mais bens de consumo, mais serviços e mais ocupação para todo mundo, além de um possível barateamento dos produtos e serviços. Por vezes, penso que falta criatividade àqueles que decidem o nosso destino, tanto no governo quanto na iniciativa privada, quando o assunto é a colocação das pessoas no trabalho. Lembro-me dos meus tempos de criança vivendo no interior, quando, mesmo sem a visão, sempre era colocado para desempenhar alguma tarefa que me fazia participar das atividades desenvolvidas no ambiente. Diferente dos nossos tempos, quando, muitas vezes, os pais de uma criança com deficiência correm para pedir um auxílio assistencial do LOAS e deixar o seu filho em casa à-toa, enquanto usam aquele dinheiro para ajudar no sustento da família. Se houvesse ocupação para todos, como seria? Precisamos entender bem a função social do trabalho e garantir esse direito tão pregado nos 4 cantos do planeta a todos aqueles que têm que dar o sustento à sua família. É muito bonito e está na moda falar em sustentabilidade, mas poucos já pararam para entender e aplicar o verdadeiro sentido disso, inclusive no que se refere ao trabalho. A lei 8.213/91 acelerou o processo de emprego das pessoas com deficiência, num movimento que já vinha da década de 50, mas isso só garante a contratação das pessoas. É preciso investir em capacitação e adequação dessa mão de obra, para que o emprego delas se torne viável para as empresas e para os empregados. Os cursos precisam ser adaptados a cada deficiência, para que o aproveitamento seja igual entre todos os participantes. Entendo que é preciso aproveitar bem essa oportunidade em que todos estão mobilizados no cumprimento das cotas e promover a melhor inclusão social através da geração de emprego e da ocupação e desenvolvimento de todos.
As empresas: Em meio a tanta conturbação, com crises e mais crises, com o elevado custo imposto pelos governos e pelas garantias trabalhistas, caras para o sistema produtivo, temos que parabenizar os empresários que, teimosamente, investem seus recursos na geração de empregos e na transformação da nação. Costumo dizer que as entidades que sempre funcionam são as empresas, pois têm que gerar lucros, para que garantam sua existência. Nenhum acionista coloca seu capital numa sociedade anônima, se ela não tiver uma perspectiva de sucesso bastante visível. Quando um problema de gestão qualquer coloca a saúde financeira de uma empresa em risco e o governo tem que socorrer, como aconteceu na crise de 2008, por exemplo, quem paga a conta é o contribuinte que, via de regra, são as próprias empresas e seus colaboradores. Exatamente por essa garantia de solidez e estabilidade do meio produtivo dos países, que os empresários costumam ser chamados a contribuir na solução dos problemas sociais. Os programas de sustentabilidade das empresas, considerando a inclusão de diversidade, ajudam a promover a integração de todos os trabalhadores num objetivo comum, o da geração de riquezas. Temos que aprender bem a conviver com a diversidade dos recursos de uma empresa, pois somos todos diferentes em nossas condições de contribuir com o nosso trabalho. Cada colaborador tem o seu tempo e a sua melhor forma de gerar os resultados para os quais foi contratado, nem por isso, podemos deixar de aproveitar o potencial de todos os trabalhadores. Um dos maiores desafios dos gestores numa companhia é, sem dúvida, conhecer bem a capacidade de cada um dos seus subordinados e direcionar corretamente os profissionais para as atividades nas quais eles obtêm o melhor desempenho. Descobrir os verdadeiros talentos e utilizar esses talentos em favor da empresa não é uma tarefa fácil, mas é primordial para que se consiga atingir o melhor resultado.
Os trabalhadores: Quanto aos trabalhadores, esses têm a excelente oportunidade de se especializarem cada vez mais e se prepararem para ocupar os postos que são criados nos diversos níveis das organizações, públicas e privadas. Parece tudo muito simples, mas vimos sempre pessoas dizendo que não têm oportunidade, sem se dar conta de que elas são as principais responsáveis por buscar essas oportunidades. Os processos seletivos nas empresas e os concursos públicos estão apertando o cerco e ninguém mais consegue um bom emprego sem uma preparação adequada. Isso significa cursos, autoconhecimento e muito treinamento, para que estejam prontos para vencer a concorrência, cada vez mais forte. As pessoas com deficiência, que estão sendo incluídas, mais do que nunca, no cumprimento das cotas, precisam se esforçar e acompanhar o ritmo dos demais colegas para que não fiquem muito defazadas. Não podemos nos esquecer nunca de que fazemos parte de um negócio, que só dará certo se der lucro para seus patrocinadores, os empresários donos dessas empresas. Quando somos colocados dentro de uma organização, é porque alguém acreditou que vamos contribuir para o seu sucesso. Do contrário, seria mais fácil justificar a não contratação e, de novo, ficaríamos sempre esperando a tal da oportunidade. É preciso ir à luta e fazer acontecer as nossas próprias oportunidades, pois sem o nosso esforço e sem provar que somos viáveis e fazemos a diferença onde atuamos não vai ser fácil vencer, visto que não existe filantropia na contratação de funcionários, no meio empresarial. Quando consegui o meu primeiro emprego em 1978, entrei através de um programa social, mas tinha que embalar 200 caixas de gelatina por dia, a fim de viabilizar a minha contratação. Assim sempre foi, durante os meus quase 32 anos de luta, os resultados que trazem sentido ao emprego. Sou pago por alguém que espera sempre o melhor de mim e isso é o que eu procuro fazer no dia-a-dia. Se eu puder dar uma dica às pessoas com deficiência que já foram contratadas, direi que façam tudo que puderem para se atualizarem, que estejam sempre atentos às oportunidades que aparecem e então, terão tudo para dar certo no trabalho. As chances existem e há uma grande boa vontade por parte das empresas. Estejam prontos e procurem mostrar isso sempre a seus superiores e eles serão os primeiros a apoiarem vocês, pois isso contará pontos para eles, também. Aos que ainda estão aguardando a sua oportunidade de emprego, digo que estejam sempre preparados e atualizados para que possam aproveitar no melhor estilo, quando a oportunidade aparecer.
José Antônio da Silva Consultor em Tecnologia da Informação e especialização em projetos de inclusão de diversidade Janeiro de 2010. |
