A CONTRIBUIÇÃO DO INTERNATO
Por José Antônio da Silva
Pensando um pouco no que acontece diariamente na vida de um Internato, resolvi refletir sobre as melhores práticas já percebidas nesse tipo de estabelecimento educacional e o que poderia ser feito para melhorar a vida daqueles que ainda dependem dele. Embora já tenha ouvido falar de muitos problemas nessas instituições, não é tão raro acontecer de alguém se valer delas para deixar seus filhos estudando, enquanto toca seus negócios em outros estados e até, em outros países. Esse é apenas um exemplo da utilidade do internato. O objetivo desta reflexão não é defender o sistema de internato, mas entender quando eles são necessários e como eles poderiam prestar melhor serviço ao tomar conta de crianças, sem causar outros prejuízos, além da falta de seus pais por perto. Vejamos, por exemplo, as escolas para deficientes visuais em sistema de internato: os alunos têm todo o material apropriado em quantidade e qualidade adequadas, os professores especializados, as instalações preparadas para os deficientes, que são separados por faixa etária, e uma programação de atividades pedagógicas elaborada exclusivamente para as dificuldades que essa deficiência pode ocasionar. É óbvio que os resultados tendem a ser bem melhores dependendo da utilização adequada e constante dos recursos ali disponíveis e da disciplina dos alunos, em prol de um aproveitamento total. Além desses ganhos, poderíamos dizer que, se bem planejado e bem controlado, haveria um padrão na instituição, em que os alunos, os professores, os funcionários e a diretoria constituiriam uma grande família. Teríamos todos os alunos aprendendo bem e com grandes possibilidades de saírem de lá prontos para vencer as dificuldades de uma vida social e profissional comum, desde que a integração desses alunos na sociedade, durante e após o período de internato deles, fosse cuidada.
Problemas Isso tudo seria possível, se não houvesse tantas falhas em grande parte dos internatos atuais, que acabam por inviabilizar completamente o seu método de educar os alunos. Geralmente, são profissionais mal preparados, instituições sem a menor infra-estrutura para receber tanta gente e há falta de controle das crianças internadas, bem como falta de atenção adequada das famílias, para que o conjunto família-escola possa acontecer na proporção e da forma adequada a um bom sistema de ensino. Seria necessário que existisse uma regulamentação e uma fiscalização do poder público, além de um aferimento dos resultados alcançados por bimestre ou até por mês, a fim de garantir que o internato não traga nenhuma conseqüência desastrosa ao aprendizado, pois existe por uma necessidade ou conveniência qualquer dos alunos e dos pais. Nessa linha, não podemos pensar o internato como simples moradia, na qual os estudantes passam a maior parte do tempo de maneira ociosa. Temos que criar alguma forma de manter esses alunos em atividade o tempo todo, garantindo que eles irão se desenvolver durante o período de permanência naquele estabelecimento. Também precisamos trabalhar em prol da conscientização dos pais, para que não deixem seus filhos numa instituição e nunca mais voltem para ver o que aconteceu. Tem que ficar claro o papel da família na educação dos filhos.
Alternativas O movimento atual, em que os internatos de educação para deficientes são transformados em entidades de apoio e seus alunos estimulados a partirem para uma escola comum, aparentemente tende a oferecer uma educação normal, com integração social e várias aprendizagens que o internato não proporciona. É preciso garantir que os benefícios materiais e pedagógicos oferecidos nos internatos sejam disponibilizados, também nas escolas comuns, aquela em que o aluno só comparece para a aula e o restante das atividades de estudos ficam a cargo da família. O que eu percebo é uma grande quantidade de crianças deficientes matriculadas em escolas mal preparadas para recebê-las. Há casos em que o deficiente acaba virando motivo de brincadeiras dos demais alunos e não aprende nada, passando muita humilhação durante as aulas. Como nos internatos, precisamos trabalhar para que haja um controle muito grande do Estado e do Município nas escolas com deficientes físicos, sensoriais, intelectuais ou mentais, permitindo que as atividades aconteçam de forma adequada e que seja garantido a eles um dos direitos mais sagrados da nossa Constituição, a educação. É preciso prover as escolas de material e pessoal adequado a essa missão tão nobre, quanto necessária na vida de cada brasileiro, independentemente de qualquer deficiência que ele tenha, fato de que, aliás, não tem culpa. O poder público, através de todos os seus entes federativos, tem essa responsabilidade e cobra altos impostos de nós para isso. Vamos ficar atentos e cobrar o cumprimento dessa obrigação, já que legislação para isso não falta. O que falta é a coragem dos cidadãos de exigir dos governos aquilo que nos devem, da mesma forma que somos citados diariamente a prestar contas de nossa vida, do que ganhamos e do que fazemos com o nosso patrimônio e com o nosso dinheiro. Quando as escolas estiverem em condições adequadas, faltará apenas conscientizar os pais a matricularem seus filhos deficientes e colaborarem para que a educação deles seja a melhor possível, para que tenhamos pessoas bem preparadas para viver uma vida dignamente, tanto no trabalho, quanto na sociedade.
José Antônio da Silva Consultor em Tecnologia da Informação e especialização em projetos de inclusão de diversidades 15 de Junho de 2009.
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