A Inclusão na Educação |
José Antônio da Silva
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Fala-se muito sobre um grande projeto de educação em nosso país, através do qual todas as pessoas receberiam atenção do poder público e não faltariam recursos para promover uma formação exemplar para todos, garantindo a participação plena dos brasileiros, sem nenhum tipo de discriminação. Reconheço que muitos esforços já foram feitos e muito dinheiro já foi destinado a diminuir a distância entre o desejado e a situação atual da nossa população. Temos garantias constitucionais em relação à destinação de verbas, muitos órgãos públicos criados ao longo do tempo na busca de soluções para os problemas da educação e verificamos um grande contingente de pessoal especializado, todos empenhados em educar cada vez melhor os brasileiros. Quando vejo os ônibus de pequenas prefeituras do interior buscando as crianças que moram muito longe das escolas, sinto a preocupação das autoridades com a inclusão e garantia do direito constitucional à educação a esses alunos. Uma renovação da frota que funciona com ônibus muito velho e a eliminação definitiva do transporte de crianças em “pau de arara” (sistema de transporte em carroceria de caminhões), fará com que esse recurso ajude muito na educação dos alunos pobres do interior. A lei de cotas, em outra frente, e os programas criados nos últimos anos levam uma grande quantidade de pessoas ao ensino superior e, sem dúvida, estão contribuindo para melhorar a cultura do nosso povo. Percebo que cresce rapidamente o movimento de adequação dos estabelecimentos públicos de ensino, para receber os deficientes físicos, visuais, auditivos e intelectuais, com pessoal especializado e modificações espaciais necessárias ao acesso dessas pessoas. Quando tivermos material em braille para os alunos cegos, rampas para o acesso dos caderantes e pessoas treinadas em libras para se comunicar com os deficientes auditivos, estaremos no caminho certo para garantir a inclusão definitiva das pessoas com deficiência nas escolas. Se houverem recursos suficientes, também é importante o uso de computadores adaptados com aplicativos, que permitem o acesso dos deficientes. É muito gratificante constatar que cresce o sentimento, em todo o país, de que não basta criar leis e contratar pessoal especializado e serviços de adequação dos estabelecimentos, se a necessidade de se empenhar nesse processo não for incorporada à cultura dos profissionais da educação. Temos que usar e abusar da nossa criatividade na eliminação de barreiras e na criação de condições cada vez mais favoráveis à inclusão da diversidade no ensino.
A Família Fala-se muito também da obrigação do Estado em promover a educação, mas pouco se lembra do papel da família nessa tarefa tão nobre. Costumo afirmar que o processo de formação inicia-se na casa dos alunos - desde o seu nascimento- e continua ao longo do tempo, através de uma grande parceria formada pelos seus pais e sua escola com um objetivo único: a educação das crianças. Quando tivermos essa preocupação constante em nosso dia a dia, teremos até a capacidade de corrigir possíveis dificuldades. O trabalho infantil tem que ser proibido e combatido fortemente em todas as situações. Tem que haver uma forte cobrança dos resultados do ensino e de explicações de todos os envolvidos sobre os resultados negativos , apresentando alternativas de promover o ensino para todos, indistintamente. Quando uma escola constata a matrícula de um aluno especial em sua unidade, tem a missão de buscar as condições plenas de acesso desse aluno a todos os seus recursos, sejam de ordem física, intelectual, cultural ou pedagógica. As barreiras espaciais e a falta de material adaptado são hoje o maior obstáculo à educação especial, mas a falta de preparo dos profissionais para lidar com o ensino e a diversidade impedem até mesmo a solução dos problemas cotidianos ocorridos nas escolas. O papel da família é muito importante na fiscalização e na cobrança da assistência adequada aos seus filhos, exigindo que as providências necessárias sejam tomadas pela escola e de fato ocorra o respeito ao direito de todos, conforme previsto na vasta legislação educacional brasileira.
Os queridos professores Ah, esses merecem um capítulo especial na nossa história. Temos milhares de exemplo de dedicação, de amor e de doação, onde não se mede sacrifício para dar o melhor para os pequenos que chegam todo dia na sala de aula. Grande parte chega a adotar os alunos como se fossem seus filhos e se preocupa até em demasia com o futuro daquelas crianças. Quantas “tias” já não entraram em conflito com os pais imaturos para garantir a disciplina dos seus filhos e fazer com que eles aprendam mais e cresçam como futuros cidadãos? Quem de nós não se lembra daquela professora da nossa infância, que nos deu aquele conselho nunca esquecido e que até hoje aplicamos nos nossos momentos difíceis? A exigência de qualificação pelo Estado nos concursos públicos é cada vez maior e a tendência é de que tenhamos professores cada vez mais aptos a um ensino de qualidade. Acredito que, com o aperfeiçoamento da técnica e a dedicação dos professores, teremos o caminho para uma educação de qualidade, para que consigamos resolver todos os problemas que aparecerem e para que possamos encontrar o meio adequado para a inclusão de todos na educação. Dependemos de todo o corpo docente das instituições de ensino para garantir as condições básicas de estudo a todos os alunos, que, junto com os pais, devem cobrar providências do Estado na efetivação dessas condições, seja na infra-estrutura, na capacitação dos profissionais ou na aquisição de material adequado. Peço que continuem participando ativamente da formação dos nossos filhos e dando o melhor para o seu desenvolvimento, buscando meios de incluí-los independentemente de suas dificuldades e limitações e puxando nossa orelha, toda vez que não estivermos colaborando no nosso papel de pais. Assim, poderemos construir um país mais justo, com o crescimento e a qualidade de vida que desejamos. Não adianta falar em desenvolvimento, se não providenciarmos urgentemente o crescimento e a inclusão das pessoas em todos os sentidos, já que a qualidade cultural e moral da população é fundamental para promoção de qualidade de vida.
José Antônio da Silva
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