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Organização e o consumidor: Competitividade inclusiva

 

Por Vera Lucia Silva

 

Na velocidade em que as transformações vão acontecendo no campo político, social, cultural e econômico elas provocam no mundo a inserção de novos conceitos e valores, e o que mais percebemos como parte desta mudança é a  importância e a relevância do papel do consumidor e como a sua presença efetivada e oficializada pelo Código de Defesa do Consumidor  através da  Lei n.º 8.078, de 11 de setembro de 1990 - agora, com voz ativa na regulamentação de sua defesa no processo de aquisição e compra também, como conseqüência natural, surge como um dos principais protagonistas  desse novo cenário, com capacidade tremenda de promover um dimensionamento maior e impulsionador sobre os rumos dessas alterações e que começam a ditar quando e como elas devem acontecer. 


É nesse ponto que passamos a balizar a nossa reflexão e dividir com vocês [nobres leitores] o pensar sobre a importância dos consumidores conscientes e formadores de opinião, quando parte deste contingente  age como  compradores  assíduos dos diversos produtos e serviços prestados e avaliadores, não somente na questão da qualidade prospectada ou quanto a publicidade envolvida e, tão somente dentro das suas normas técnicas e de segurança, mas,  que também traz no seu bojo os necessários ditames para uma imagem socialmente responsável das marcas das empresas  impulsionando as mesmas para a sustentabilidade e uma competitividade mais saudável.


Na questão das organizações, ser uma marca competitiva exige contornos ainda mais específicos e entre os diversos parâmetros que podemos lembrar, a responsabilidade social sai na frente alicerçada na conduta ética, responsável, proativa e inclusiva, que valoriza as potencialidades criativas de homens e mulheres [capital ativo] promovendo-lhes as plenas condições para o trabalho, para a educação e, conseqüentemente para o desenvolvimento profissional e pessoal.


Pensar na reputação empresarial de uma organização é também refletir essencialmente o seu propósito social,  considerando as características étnicas, geográficas e regionais-culturais, onde seus produtos e serviços são comercializados. Ser uma empresa socialmente responsável é pensar na perenidade da sua própria missão.  Para quem ainda não está familiarizado com o termo, cabe uma explicação. É tudo aquilo que está ligado as boas práticas da empresa, na sua relação e tratamento dos funcionários, como consome (fontes fornecedoras), como se relaciona com a sua comunidade no seu entorno e como interage e se posiciona sobre a questão do meio ambiente. Existem outros inúmeros fatores que poderíamos considerar mas não vem ao caso nesse momento. 


No exemplo da inclusão social desde a criação da Lei Federal 8.213, de 24 de julho de 1991, que obriga empresas com mais de 100 funcionários a ter em seu quadro pessoas portadoras de alguma deficiência física, e que ainda, convenhamos, se trata de uma medida paliativa, porém o ponto positivo pode ser visto pelas organizações como uma oportunidade para tornar-se mais competitivas se souberem valorizar principalmente a capacidade mental, cognitiva, intuitiva  e criativa de um portador de deficiência. Lembrando que a deficiência física não deve ser aceita e entendida como item que desqualifica o portador, mas avaliada continuamente como um desafio a ser suplantado por meio de recursos que promovem a acessibilidade.  Para um dos maiores pensadores da administração contemporânea,  Alvim Toffler, considera “Daqui para a frente, cada vez mais, as empresas necessitarão  - muito embora boa parte delas ainda não se tenham percebido disso – de indivíduos que pensem, imaginem, desafiem e inovem”. (FILHO, Geraldo Ferreira de Araujo.”Empreendedorismo Criativo,2007, p.181). Os portadores de deficiência  devem ser avaliados a partir de suas competencias e habilidades, promovendo a sua inserção no mercado de trabalho.


Assim, as organizações que pretendem o enfrentamento às tais questões  sobre como manter a competitividade de sua marca devem estimular a maior diversidade possível, mantendo no contexto laboral a capacidade fundamental de produção atrelado essencialmente ao trabalhador intelectual e alinhada a fatores da acessibilidade e ser plural nas suas aquisições profissionais.
Da potencialidade a ser alcançada de suplantar resultados através da valorização da multiplicidade de gêneros diversos (cadeirantes, negros, índios, deficientes visuais e outros portadores) podem surgir tendências que resultarão também em outros caminhos e maiores benefícios  impulsionando o surgimento e a adoção de novas políticas de inclusão, porque muitas lideranças já perceberam e entenderam que os consumidores modernos estão mudando e adotando, não somente  atitudes consideradas apenas politicamente corretas, mas certamente influenciando uma consciência corporativa orientada e engajada na promoção social.


São imperativos, não somente para a UNESCO mas para todas as organizações dos diversos segmentos abrir espaço para repensar os diversos elementos dotado de capacidade e inteligência atentando que o [consumidor consciente] é um novo parceiro que fomenta ações que podem levar as organizações a serem mais competitivas se souberem ser primeiramente inclusivas.

 

Novembro/ 2009