Nossas compras deixam um rastro duradouro no planeta, se considerarmos o desmatamento, a agricultura, a extração, a produção, a cadeia de suprimentos, o transporte, a logística, a comercialização, o descarte e os resíduos, ou seja, não é tarefa nada simples compreender ou dimensionar o efeito de uma compra. Nesta perspectiva, buscar alternativas que provoque impactos menores ao meio ambiente será nosso desafio. Falando nisso, desafio você a pensar na possibilidade de ficar uma semana inteira sem comprar nada.
Isso mesmo! Disse uma semana ou sete dias, esta atitude lhe traz desconforto não é mesmo? Natural ocorre também com um considerável número da população com poder de compra. O ato de comprar está enraizado em nossa cultura, consumir expõe muito do que somos ou almejamos ser, e essa idéia de assumir um estilo de vida propositalmente mais despojado, “não é deixar de comprar” e sim deixar de buscar felicidade nas compras. Segundo estudiosos não aspiramos apenas a produtos, mas a conceitos como; conforto e modernidade. “Cá entre nós”, quem nunca sentiu a sensação de sair de uma loja com sacolas nas mãos e o sorriso no rosto? O fato é quando essa atitude torna-se uma fonte de prazer compulsiva para você e um cem número de pessoas na tentativa de suprir as faltas afetivas, amorosas ou existenciais.
Para se ter uma idéia de quanto isto pode representar para o nosso planeta, se nos propuséssemos a satisfazer as ambições da China, Índia, Europa e EUA bem como as aspirações do restante do mundo seriam impossíveis atender tamanha demanda por matérias-primas e recursos naturais. Não vamos muito longe, imagine apenas a população da China e Índia que somadas abrigam 2,46 bilhões de habitantes ou 38% da população mundial resolvessem comprar automóveis, motocicletas, televisões, computadores, geladeiras, lavadoras, torradeiras, condicionadores de ar, aquecedores elétricos, banheiras de hidromassagem, entre outras.
Se é verdade que quanto mais clara é a relação entre o ato de consumir e a sustentabilidade do planeta mais as pessoas naturalmente reduzem o consumo, também é fato que a capacidade do planeta de se regenerar pode ser insuficiente. Apenas os EUA são responsáveis por demandar 25% do consumo de energia elétrica no mundo e por gerar 30% de todo o lixo do planeta, vale lembrar que a população estadunidense corresponde apenas a meros 5% da população da Terra. O tema é explicado de forma didática e bem-humorada nesse vídeo da Tides Foundation, dos EUA. Partindo de um objeto de desejo atual o iPod, a apresentadora Annie Leonard mostra o lado absurdo do modelo atual da produção de consumo de massa.
Vivemos numa sociedade onde somos respeitados pelo nosso padrão de consumo. Sabê o que é pior, muitas vezes, o caráter de um indivíduo é colocado em julgamento de acordo ao seu patrimônio e confunde-se uma pessoa de caráter com alguém que “sabe gastar”. Infelizmente na sociedade onde é necessário “ter” para “ser”, são muitos os que se descontrolam e perdem suas vidas empenhados em ter algo ao invés de ser alguém. Continue sempre com desejo de concretizar seus sonhos, mas não se perca neste ambiente a procura da felicidade, tenha sempre em mente que o produto mais belo que o dinheiro poderia comprar não se encontra numa vitrine.
Seja consciente além de preservar a natureza cuidando do planeta, sua saúde financeira também agradece. Menos é mais, escolha viver de um modo despojado, se auto-afirmar comprando compulsivamente pode passar outras coisas, como desequilíbrio e não admiração. Não tenho a menor pretensão de defender ideologia alguma, mas os reais inimigos da sustentabilidade são os descompromissados, é impossível imaginar que o mundo se consertar sozinho, temos que reciclar comportamentos e compartilhar a responsabilidade de entregar um planeta sustentável para as futuras gerações.
Pense nisso e boas compras, ou melhor, conscientes compras.
Junho/ 2009
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